Regina
Blog Somos Maré

"A educação precisa mudar. Enquanto os estudantes forem cobrados a memorizar para o vestibular, a aprendizagem é reducionista.
Os aprendizes merecem mais." Regina Pundek

Somos a Maré!

por Kid´s Home - 3 setembro, 2018

Como é difícil escolher uma escola para seu filho, não é?
Para escolher uma escola é preciso conhecer pedagogia?
O que a vida pede?
O que seu filho precisa nesta etapa da vida?
O que você deseja para seu filho?
Como a criança pode aprender com alegria?
Por que ele precisa seguir seus passos se o mundo já não é mais o mesmo da época em que você ia para a escola?
Que competências ele precisa desenvolver frente às necessidades de um futuro incerto?

O coração dos pais aperta e esse sentimento pode ser transformado em perguntas, tantas perguntas, cujas respostas precisam ser encontradas! Contudo, não há certo e errado para essas questões. Mas, sim, há adequado e inadequado, justo e injusto, atual e ultrapassado, seguro e duvidoso. O importante é enfrentar esse momento com lucidez, procurando evitar a escolha por impulso, sem reflexão do que é o melhor para a criança. Importante é não se permitir embalar por espaço físico ou status! A escola mais bonita, mais perto, mais barata, mais cara, maior, com mais quadras ou mais famosa não é necessariamente a melhor para seu filho.

As ciências da educação vêm trazendo novidades muito importantes e, que precisam ser consideradas nas escolas. Compreender como aprende o ser humano permite que o professor qualifique sua forma de ensinar. Porém, não adianta o professor evoluir se a sociedade permanece estagnada no modelo arcaico do século XIX, que é ainda o praticado atualmente. As necessidades daquela época eram outras! Sendo assim, os pais precisam desconstruir a escola que têm como referência. Somente desta forma o país conseguirá qualificar a educação!
Uma nova maré vem tomando volume por todo o planeta. Uma maré de inovação e criatividade que visa quebrar muros, ampliar horizontes, construir uma cultura de colaboração e respeito. Há mapas apontando esses espaços pensantes, essas escolas transformadoras por todo o globo terrestre. Somos poucos ainda, mas acreditamos que cada um esteja fazendo sua parte

Há 36 anos, deixei o diploma de engenheira na gaveta, quando constatei que precisava saber o que estavam ensinando na escola para meus filhos. Eu estava consciente de que as mudanças do mundo exigiam mais que uniformização e silêncios. Os avanços, leia-se Paulo Freire, Freinet, Vigotsky, Piaget, Maria Montessori, Emília Ferreiro; já gritavam que o ser humano não é um receptáculo vazio onde os professores despejam conteúdos. Contudo, o mundo capitalista grita mais alto e as escolas calam perante o cliente pagante! Fazem o que os pais esperam para não perder alunos!
Essa nova maré visa uma nova forma de entendimento da educação, onde não haja barreiras entre escola, família e comunidade. Seguindo essa linha de pensamento sugiro algumas perguntas básicas para fazerem ao visitar uma escola:

Quantos professores por grupo?
Quantas crianças por grupo?
Quanto tempo para o livre brincar?
Qual a importância da arte nessa escola?
Qual a formação dos professores? Qual treinamento recebem?
Os pais podem entrar na escola? Em quais situações? Podem participar?
Que tipo de devolutiva da aprendizagem da criança a escola dá às famílias?

Outras perguntas:
Como se dá a ensinagem? O que é ensinar?
As crianças participam de decisões? Quais?
Quais frustrações são consideradas saudáveis para o desenvolvimento? Como lidam com estas frustrações?
Como garantem na prática o respeito à curiosidade da criança?
As crianças saem dos muros da escola para conhecer o entorno?
As crianças realizam atividades por elas planejadas? Quais?
Como resolvem conflitos?
O que além dos conteúdos programáticos aprende-se nessa escola?

Em tempo, sugiro ainda uma última pergunta:
As questões levantadas apontam para você uma mudança estrutural na escola?

Regina Pundek

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