Regina
Blog Somos Maré

"A educação precisa mudar. Enquanto os estudantes forem cobrados a memorizar para o vestibular, a aprendizagem é reducionista.
Os aprendizes merecem mais." Regina Pundek

Quando as janelas se abrem

por kidsadm - 20 março, 2019

O uso da tecnologia pelas crianças é um assunto controverso. Cada família estabelece seus limites quanto ao uso de eletrônicos.

Porém, como as facilidades tecnológicas impactam no ambiente escolar?

Há geralmente um desconforto quando se fala do uso da tecnologia na educação, e isso é bastante compreensível. Nunca na História da Humanidade tivemos tantas transformações. 

Nossa geração, de pais e educadores, passou do uso da ficha telefônica (que só durava 3 minutos em ligações locais) para video-conferências internacionais em tempo real. Passamos da pesquisa em imensas enciclopédias para a digitação em um navegador de buscas que nos oferece inúmeras respostas ao que estamos procurando. Passamos da demora para se revelar fotos das viagens para infinitos selfies que ganham likes em tempo real. Passamos a usar um novo vocabulário: bugar, deletar, digitar, dar um Google, linkar…

Além das facilidades individuais e interpessoais, também acessamos o mundo. Nunca o planeta ficou tão pequeno! É possível saber exatamente o que está acontecendo neste momento em qualquer cidade do mundo.

E no turbilhão de novidades tecnológicas nasceram nossas crianças.

É impossível pensarmos que temos lucidez sobre a época que vivemos. É ilusório discernirmos claramente sobre as possibilidades e perigos que nos cercam. Estamos vivenciando um contexto histórico único, cheio de contradições, e a presença da tecnologia no nosso cotidiano é mais uma delas. Portanto, é bastante complexa a discussão a que nos propusemos. Afinal, como educar na era tecnológica?

É importante começar lembrando que tecnologia pode ser entendida como qualquer processo técnico da atividade humana, ou seja, fala-se aqui do uso de ferramentas e da dimensão ontológica do homem (que se refere ao trabalho como condição de existência).

Portanto, é viável pensarmos que educar as crianças utilizando tecnologia pode ser ensinar o manuseio de uma enxada ou uma busca na internet. A tecnologia é, portanto, uma ferramenta.

A respeito do uso específico do computador, as opiniões de especialistas se dividem. Há os que defendem o uso da ferramenta em momentos de aprendizagem e há outros que não recomendam. 

Como escola contextualizada, inserimos o uso desta ferramenta nas nossas atividades. Porém, optamos pela cautela e supervisão.

Uma pesquisa no Google pode resultar em imagens, vídeos ou textos inapropriados. Pornografias, excesso de publicidade, construção imagética preconceituosa, palavrões, violência… há uma série de preocupações quando uma criança usa livremente o computador. Portanto, todos os conteúdos oferecidos para as crianças aqui na escola passam pelo crivo prévio dos educadores. 

Avaliamos todas as músicas que baixamos, imagens que selecionamos, textos que utilizamos. 

Mesmo em uma eventual pesquisa do Google, apontamos os sites que sabemos que as crianças podem acessar. São os sites que antecipadamente avaliamos. Além disso, mostrar às crianças a variedade de fontes é importante para que elas aprendam sobre veracidade.

Outro cuidado que tomamos é sobre a finalidade da ferramenta. É bem verdade que as crianças associam o computador aos jogos. Ensinamos, então, como produzir conteúdo. Isso deixa as crianças orgulhosas e desperta para a utilidade da ferramenta que não seja o uso da internet.

Além disso, o uso dessa ferramenta é gradativo, e adequado para cada fase de desenvolvimento.

Este é o pensamento que defendemos no momento: uso de tecnologia como ferramenta, de forma contextualizada e cautelosa, a serviço da construção de conhecimento.

Rodrigo Toyama – Educador na Maré da Kids

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *