Regina
Blog Somos Maré

"A educação precisa mudar. Enquanto os estudantes forem cobrados a memorizar para o vestibular, a aprendizagem é reducionista.
Os aprendizes merecem mais." Regina Pundek

O que há por trás da tela da Maré

por kidsadm - 1 junho, 2020

A quarentena trouxe intensos desafios para os pais, crianças e professores.  Agora tudo é em casa! E, as mesmas telas que nos separam, também nos aproximam. Todos estamos a pisar num novo chão, a trilhar um caminho desconhecido e incerto que nos desperta receios, angústias e frustrações.
Tudo isto favoreceu uma vivência familiar intensa e repleta de dúvidas e incertezas.
Para algumas pessoas o isolamento trouxe solidão, pois moram sozinhos.
Para as crianças, inicialmente, o isolamento trouxe um gostinho de férias, mas então elas descobriram que os pais não as tratavam como se eles estivessem na mesma condição. De repente, as crianças perceberam que os pais querem muito que elas se aquietem. Os pais que antes, nos finais de semana e nas férias, eram tão alegres e gostavam tanto de fazer as suas vontades, agora estão tão diferentes. O que está acontecendo? – é uma pergunta que algumas crianças conseguem fazer.

Bem, somos uma escola que sempre acreditou na importância dos problemas como fatores de aprendizagem, como instigadores da construção de perguntas, busca de respostas, estudo, planejamento e atitude (fazer)! Por isso, nos percebemos como uma escola do PRESENTE! O problema do dia é o problema a ser desvelado! Contudo, jamais imaginaríamos um problema nas proporções do que estamos vivendo nestes dias, não é mesmo? Um problemão!

Mas vamos lá, temos de enfrentá-lo. O antídoto para a incerteza e para o medo é o conhecimento! Acolher o medo e as dúvidas, aceitar, respirar, acalmar, pensar, reavaliar princípios e montar estratégias. Tentar de um jeito por algum tempo, reavaliar novamente e, quando necessário, fazer mudanças. Bom também livrar-se de culpas, que são estagnadoras e, imbuir-se de humildade para contemplar o desconhecido e então, arregaçar as mangas em busca de ajuda, do conhecimento que trará a coragem para outras tentativas.

Há muitas informações circulando, o que precisamos é estruturar bem as perguntas funcionais, buscar respostas que possam dar suporte ao nosso dia a dia, trabalho e bem estar.

Assim tem sido também com a equipe de professores. Não sabemos qual é a melhor resposta para cada uma das tantas perguntas que levantamos; estamos levantando perguntas e hipóteses diariamente!! E, estou falando não somente da tecnologia que tivemos que aprender a toque de caixa! E, ainda temos tanto pela frente! A cada semana nos reunimos para compartilhar o trabalho dos dias que passaram, para olhar para as planilhas de devolutivas de cada criança, de cada família e, então vamos criando novas estratégias de acolhimento e estímulo tanto para os indivíduos como para os grupos.
Sabemos que o que as crianças mais precisam nestes dias é de um ambiente de amor, confiança e verdade. Então, queremos ajudar levando um pouco destes ingredientes que também de nós elas estão acostumadas a receber. Queremos levar um “momento quentinho” para o dia de cada criança, um momento de carinho, de olhos nos olhos, de continuamos pensando em vocês, de tudo vai passar e a gente vai voltar a brincar juntos! E, para os maiorzinhos, queremos também instigar-lhes a curiosidade – e assim têm sido, lindamente!

Começamos lá em março com desafios dos professores enviados em vídeos, depois estimulamos as crianças a nos enviarem suas devolutivas (e são tão lindas, tão nutritivas para nossa equipe!), depois fizemos vídeo chamadas/rodas de conversa por grupo, depois vídeo chamadas individuais para ouvir o que cada criança estava sentindo, então vieram as vídeo chamadas para as famílias para ajudar a montar estratégia em cada casa, surgiram as LIVES e nesta semana que entra faremos reuniões de pais e professores. E, temos certeza de que não vai parar por aí, pois os dias não param de chegar (ufa, ainda bem, não é mesmo?), e com eles vem o novo, a busca, a necessidade.
Uma coisa é certa: não queremos dar aulas, nunca as praticamos! Não acreditamos em aulas, muito menos destas do século XIX que ainda transitam por tantas escolas e agora em telas, cheias de conteúdos e de respostas desinteressantes. Aulas que obrigam as crianças a ouvir e calar longamente. Não queremos que nossos vídeos fiquem com a cara dessas tais aulas formais, fechadas em si. Nossas crianças estão acostumadas a muito mais do que isto! Estão acostumadas a serem ouvidas, respeitadas, a fazerem perguntas, levantarem hipóteses. Eles sabem que não estão numa escola de estudar e sim numa escola de aprender!
Posso imaginar um museu num futuro próximo em que as AULAS estarão expostas gerando a incredulidade de todos: houve um tempo em que acreditava-se nisso?

Quero ainda dar uma ajudinha para as famílias, deixando uma sugestão simples e eficiente: a rotina! Sentem junto com as crianças e determinem tempos para acordar, comer, brincar, trabalhar, fazer as atividades da escola, tomar banho e dormir. Imprimam, coloquem na porta geladeira e sigam! Tudo pode ser modificado, mas não antes de alguns dias de tentativa.

Importante ainda ressaltar que esses dias de isolamento devem ser enfrentados um a um, sem o foco no futuro. E, o grande presente, a convivência familiar, precisa ser desembrulhado e usufruído!
As crianças estão contentes em estar com seus pais diariamente – isto é o que elas mais nos contam!
Brinquem com seus filhos!

Estamos remando arduamente na tentativa de fazer a Maré da pandemia tornar-se o mais IGUAL possível à Maré pré pandemia.
Também nós contamos com o acolhimento e suporte vindo daí, deste lado da tela. Pois, vocês, que escolheram esta escola para seus filhos, bem sabem o quanto toda a comunidade educativa é importante para educar as crianças. Juntos somos tribo!

Regina Pundek
30/05/2020

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